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Já ouviste falar de uma Quaintrelle?

Aquila Fonseca

Já ouviste falar de uma Quaintrelle?

Há palavras que simplesmente descrevem. E há outras que parecem guardar dentro de si uma forma inteira de viver. Quaintrelle é uma delas.

Pouco conhecida, delicada e quase esquecida pelo tempo, esta palavra era utilizada para representar uma mulher que cultiva a sua individualidade através da forma como vive, pensa, se expressa e escolhe aquilo que a rodeia.

Mas reduzir uma Quaintrelle à elegância seria contar apenas uma pequena parte da história.

Porque talvez a verdadeira questão não seja “o que veste uma Quaintrelle?”, mas sim:

O que faz alguém sentir que a própria vida lhe pertence?

Hoje, encontramos a palavra quaintrelle associada à ideia de uma mulher que valoriza uma vida marcada pela paixão, pela expressão pessoal, pela cultura, pelo prazer, pelo estilo e pela procura de significado.
Não se trata simplesmente de alguém que aprecia coisas bonitas.

Trata-se de alguém que escolhe conscientemente aquilo que acrescenta beleza à sua existência:

  • Essa beleza pode estar numa joia;
  • Num livro sublinhado inúmeras vezes;
  • Numa viagem que muda uma perspetiva;
  • Numa conversa inesperada;
  • Numa obra de arte;
  • Num jantar preparado lentamente;
  • Num perfume que desperta uma memória;
  • Ou numa decisão suficientemente corajosa para mudar o rumo de uma vida;

A elegância de uma Quaintrelle, por isso, não começa no guarda-roupa.

Começa na maneira como olhas para o mundo.

Durante muito tempo, elegância e feminilidade foram frequentemente representadas através daquilo que podia ser observado exteriormente: roupa, postura, beleza, etiqueta, estatuto.

Mas há uma elegância que ninguém consegue vestir por nós.

A curiosidade.
A inteligência.
A autenticidade.
A capacidade de criar.
A coragem de experimentar!
O desejo de aprender!
A liberdade de mudar de opinião!
A sensibilidade para reconhecer beleza onde outros talvez não parem para olhar.

É aqui que a ideia de Quaintrelle se torna particularmente interessante no presente.

Porque uma mulher pode gostar de joias e de filosofia.
De moda e de história.
De negócios e de arte.
De viajar e de regressar a casa.
De tradição e de inovação.

Pode querer construir uma carreira, descobrir culturas, aprender uma nova habilidade, dançar até tarde, passar uma tarde inteira num museu ou simplesmente beber um café enquanto observa uma cidade desconhecida.

Não precisa de escolher uma única versão de si própria. Pode conter muitas.

Existe uma diferença subtil entre simplesmente viver e participar ativamente na construção da própria vida. Talvez seja aí que habite a essência de uma Quaintrelle.

Não numa existência perfeita (porque isso não existe) mas numa existência vivida com intenção.

Cultivar interesses. Fazer perguntas. Experimentar. Conhecer lugares. Cuidar do corpo e da mente. Criar relações.Desenvolver ideias. Falhar. Recomeçar. Guardar histórias. Mudar.

Uma Quaintrelle não precisa de saber exatamente quem será daqui a dez anos. Precisa apenas de continuar suficientemente curiosa para descobrir. E talvez exista algo profundamente elegante nisso.

Não existe um uniforme e nem existe uma personalidade certa.

Não existe uma idade, profissão, origem, corpo ou estilo que determine quem pode ou não viver desta forma.

Para uma pessoa, beleza pode significar entrar numa galeria em Paris, enquanto que para outra, caminhar descalça pela natureza.

Pode estar numa biblioteca silenciosa, num concerto com milhares de pessoas, numa peça herdada da avó, numa viagem para o outro lado do mundo ou numa ideia rabiscada num caderno às duas da manhã.

A individualidade está precisamente aí.

Aquilo que ilumina uma pessoa pode não iluminar outra. E não é necessário.

Talvez nunca tenhas ouvido esta palavra. Mas talvez reconheças a sensação. A vontade de descobrir mais.

Talvez tenhas interesses que aparentemente não combinam entre si. Melhor ainda.

Somos feitas de fragmentos.

De lugares por onde passámos, pessoas que conhecemos, livros que lemos, erros que cometemos, objetos que guardámos, culturas que descobrimos, sonhos que abandonámos e outros que ainda estamos a tentar realizar.

E nenhum desses fragmentos precisa de existir isoladamente.

Juntos, contam uma história.

A tua!

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